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Items tagged with: sagrado
Tag was last used: May 24, 2009
 
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Toolkits & Publications

  O sexo dos clérigos

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Tomás Eloy Martinez -The New York Times
Published:  0000-00-00

Website:  http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3770180-EI13527,00-O+sexo+dos+clerigos.html
  Description:   Quase se perdem na memória os tempos em que a Igreja Católica enfrentou desafios tão ásperos quanto os destes últimos anos. O que acontece não tem a profundidade do cisma litúrgico do bispo Marcel Lefebvre nem o fervor revisionista na interpretação dos Evangelhos que desencadearam a Teologia da Libertação, e sim as violações de uma obrigação que não é matéria de dogma, mas de continua perturbação: o sexo dos clérigos. Primeiro foram os delitos de pedofilia que, em dezembro de 2002, provocaram a renúncia do cardeal de Boston, Bernard Law, de quem se suspeitou de ocultação; 450 demandas milionárias por décadas de abusos contra menores deixaram a arquidiocese à beira da falência. Agora, mais uma vez, como costuma acontecer, o escândalo surge quando vem à tona algo que se tentava ocultar: a descendência do ex-bispo paraguaio Fernando Lugo. Aqueles atos aberrantes e a aparição de três filhos gerados pelo agora presidente do Paraguai durante os seus anos de ministério colocam em dúvida o valor da repressão sexual na vida católica. O bispo de Ciudad del Este, no Alto Paraná, Paraguai, Rogelio Livieres, disse que os seus pares sabiam sobre Lugo faz tempo. Não sei por que se mascaram os temas da Igreja e não se ventilam. Na nossa época isso é péssimo porque "tudo se descobre no final", afirmou Livieres. E encontrou uma instantânea refutação oficial: "O Conselho Episcopal Permanente lamenta e rejeita as expressões do monsenhor Livieres, que dá a entender que houve encobrimento e cumplicidade dos bispos do Paraguai sobre a conduta moral do então membro do colegiado episcopal, monsenhor Fernando Lugo". As palavras de Livieres lembram às que o argentino monsenhor Jerónimo Podestá, impulsor do Movimento Latino-americano de Sacerdotes Casados, escreveu, em 1990, ao então presidente do Episcopado Argentino, cardeal Raúl Primatesta: "Vejo com pesar que, em geral, vocês tenham uma visão bastante 'alienada' e tímida: não sabem o que pensam e sentem as pessoas no mundo de hoje. A Igreja é o Povo de Deus e vocês sabem disso, mas no fundo continuam pensando que vocês são a Igreja". Quando era bispo de Avellaneda na província de Buenos Aires, Argentina, no final dos anos de 1960, Podestá converteu-se em um pesadelo para a ditadura do general Juan Carlos Onganía. Reunia multidões de até 1 milhão de pessoas para cerimônias religiosas que se transformavam em espontâneas manifestações políticas. Para o regime foi um alívio que o bispo anunciara, em 1967, a decisão de se casar. Podestá bateu várias vezes na porta do Vaticano sem conseguir que Paulo VI lhe retirara a suspensão a divinis. Insistia em recordar que, se Jesus optou pelo celibato, não o impôs aos seus apóstolos, entre eles havia casados e solteiros. O ex-bispo de Avellaneda predicava que o celibato é um dom, não um mandato divino, e que nada impede de sentir a vocação sacerdotal ao estar privado dessa graça. A maioria dos católicos ignora que os sacerdotes e os bispos não tinham proibido o casamento durante os primeiros 10 séculos de vida cristã. Além de São Pedro, outros seis papas eram casados e - o mais chamativo ainda - 11 papas foram filhos de outros papas ou de membros da Igreja sem que essa linhagem afetasse a santidade dos seus atos. Até o Concílio de Elvira, que o proibiu no ano 306, um sacerdote podia, inclusive, dormir com a sua esposa na noite anterior a de celebrar a missa. Isso começou a mudar 19 anos mais tarde, quando o Concílio de Nicéia estabeleceu que, uma vez ordenados, os sacerdotes não podiam casar-se. Em 1073 Gregório VII impôs o celibato. Um dos seus teólogos, Pedro Damián, disse que o casamento dos sacerdotes era herético, porque os distraia do serviço ao Senhor e contrariava o exemplo de Cristo. Se a intenção do papa era restaurar a destruída moral do clero e purificar a paróquia com exemplos de castidade, dezenas de historiadores - incluindo os mais piedosos - supõem que a decisão de impor o celibato também foi um meio para evitar que os bens dos bispos e dos sacerdotes casados fossem herdados pelos seus filhos e viúvas em vez de beneficiar à Igreja. Em 1123 o Concílio de Letrán decretou a nulidade do casamento dos clérigos. Apenas a Igreja Oriental, que inclui Roma, admite sacerdotes casados, mas estes devem ter contraído o casamento antes da ordenação e nunca chegarão a ser bispos. Para os católicos, a passagem por este mundo é sacrifício e sofrimento, tal como escreveu Santa Teresa: "Vivo sem viver em mim, / e tão alta vida espero, / que morro porque não morro". Mas assim como o prazer do sexo fora do casamento está proibido pela doutrina, para as religiões védicas da Índia ele é um caminho de aprendizagem e um elemento de vida: "Atravessada por um ardor que lhe devora, a boca seca, se arrastará até mim, doce, sem ira, toda minha, a voz terna, fiel", diz uma oração hindu para ganhar o amor de uma mulher, no Atharva-Veda. Qual é o sentido de reprimir as expressões da sexualidade, não apenas entre os clérigos, mas também na vida diária? O que ganha a fé católica com isso? Teme-se que o prazer distraia da oração, da relação com Deus, mas o desprezo pela mulher nos seminários e a contradição dos impulsos naturais do homem na realidade não fortalecem os vínculos entre a Igreja e o povo de Deus. Ao contrário, o celibato obrigatório costuma desanimar algumas vocações sacerdotais e provoca deserções no clero. Acreditava-se que "a vigente lei do sagrado celibato" devia seguir "unida firmemente o ministério eclesiástico", Paulo VI, atento aos clamores da modernização do Concílio Vaticano II, analisou as objeções em uma encíclica memorável, Sacerdotalis caelibatus, de 1967. Ali foi perguntado: "Não terá chegado o momento de abolir o vínculo que, na Igreja, une o sacerdócio ao celibato? Não poderia ser facultativa esta difícil observância? Não sairia favorecido o ministério sacerdotal se fosse facilitada a aproximação ecumênica?" Por acaso Deus não se preocupou com os deslizes do ex-bispo Lugo, porque a sua glória está além do que estabelecem os seres humanos. Mas a inflexibilidade da doutrina deixa entre os católicos a pergunta sobre o sentido e as normas criadas pela Igreja há 10 séculos, que não existiam antes e não teriam por que existir para sempre. Jesus predicou a humildade, o amor a Deus e aos seus semelhantes. Suas lições de vida continuam sendo claras. Às vezes, no afã por interpretá-las, os seres humanos as escurecem.
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  A crise e a esperança

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Bons Fluídos - José Tadeu Arantes Montagem sobre foto da Getty Images
Published:  0000-00-00

Website:  http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0119/01/01.shtml
  Description:   Ninguém mais duvida. Estamos no limiar – ou já vivendo as primeiras manifestações – de uma crise em escala planetária e nos mais variados setores da vida. Nesses maremotos, a palavra de visionários costuma estabilizar o horizonte à frente – mas que ninguém se engane, pois somos responsáveis pelo rumo desse barco. Texto • José Tadeu Arantes Montagem sobre foto da Getty Images Aos cenários desafiadores associados ao aquecimento global, às pandemias e aos conflitos étnico- religiosos, acrescenta-se agora a avalanche financeira, que, desencadeada no sistema habitacional americano, adquiriu dimensão universal e já se precipita sobre todas as economias do planeta. Afirma um velho ditado que, quando a água bate na cintura, está na hora de aprender a nadar. A água chegou à cintura. E tudo indica que continuará subindo. É mais do que tempo de consultar nossos manuais de natação. Para além dos diagnósticos dos especialistas, que evidentemente têm que ser considerados, representantes de diferentes tradições espirituais identificam na crise uma dimensão mais profunda. Estamos vivendo, dizem, uma decisiva transição em nosso processo evolutivo: a passagem para um patamar de consciência e realização incomparavelmente mais alto. Nessa perspectiva, todas as dificuldades que estamos enfrentando ou venhamos a enfrentar adquirem outra conotação. Por dolorosas que possam ser, oferecem a promessa de um fim feliz. Pois equivalem à luta do bebê no útero para emergir para a clara luz do dia. VISIONÁRIOS DA MUDANÇA Em 15 de agosto de 1925, no dia de seu 53º aniversário, Sri Aurobindo Ghose, o excepcional filósofo, iogue e mestre espiritual indiano, declarou a seus discípulos que as condições para o grande salto evolutivo estavam completamente maduras. Mas que havia, no seio da humanidade, uma enorme resistência à mudança. “Quanto mais a Luz e o Poder se derramam sobre nós, maior a resistência. Vocês mesmos podem perceber que há algo pressionando para baixo. E que há uma tremenda resistência”, afirmou. Sabemos o que aconteceu depois. A resistência foi forte demais. O salto evolutivo não pôde ocorrer. E a humanidade se encaminhou para o maior conflito bélico da história, a Segunda Guerra Mundial, com dezenas de milhões de mortes e uma incalculável destruição de recursos materiais e intelectuais. Os representantes das tradições espirituais consideram que as condições são ainda mais favoráveis agora do que eram na década de 1920. Mas o sucesso dessa travessia coletiva depende do esforço individual. Quanto mais nos empenharmos no avanço da consciência, quanto mais pautarmos pela consciência nosso pensamento, palavra e ação, quanto mais pessoas conseguirmos convidar para esse grande mutirão, menor será o sofrimento causado pela crise e maior será a probabilidade de fazer dela o trampolim para um futuro brilhante. Cabalistas e sufis A idéia de que vivemos um período de radical transformação é compartilhada por diferentes tradições espirituais. Mas, evidentemente, cada tradição a expressa segundo seu próprio quadro de referências. Por isso, o que uma diz nem sempre é palatável ou nem sequer compreensível para a outra. E pode soar até bizarro para as pessoas pouco habituadas à cultura mística. O que importa, no caso, é ir além das superfícies dos discursos e procurar captar o espírito comum que os inspira. É sintomático que conhecimentos antes guardados a sete chaves sejam agora expostos abertamente em tom de urgência. Segundo cabalistas judeus e sufis muçulmanos, a ampla difusão desses conhecimentos constitui um ingrediente decisivo para o sucesso da travessia em que nos empenhamos. Tempos atrás, quem quisesse estudar cabala ou sufismo teria que transpor uma quantidade enorme de obstáculos. E não foram poucos os que desistiram após várias tentativas frustradas. Agora, os mesmos conteúdos e interpretações facilitadoras estão ao alcance de todos. Basta acessar a internet. No âmbito da cabala, o site The Work of Chariot, que adota uma perspectiva ecumênica, constrói surpreendentes pontes entre as tradições místicas judaica, hindu, cristã e muçulmana e se propõe a dialogar também com a ciência de vanguarda. Na outra ponta do espectro, o site Kabbala Online se atém a uma visão estritamente judaica, mas declara sua intenção de “trazer as revelações do misticismo judaico ao maior número de pessoas, tão rapidamente quanto possível”. Em 1990, em visita ao santuário de Kataragama, no Sri Lanka, sagrado para hinduístas, budistas e muçulmanos, o xeque Nazim Adil al-Haqqani, líder da ordem sufi Naqshbandi- Haqqani, declarou: “Sabemos que este mundo está sendo preparado para enormes acontecimentos. Em breve, haverá uma mudança geral, física, e depois espiritual. O tempo está completo. Todas as nações e toda a humanidade estão sendo preparadas para algo que se aproxima rapidamente”. O tempo do re-encontro Estudioso da milenar tradição es piritual andina, Zane Curfman foi ini ciado como Kurak Akulleq (sacerdote do quarto grau, o mais alto) pelo célebre místico peruano Juan Nuñez del Prado. E, em 2003, obteve de Juan a permissão para ensinar e iniciar os outros. A ideia de um tempo de mudança radical, configurada na profecia do “retorno do inca”, faz parte de seus ensinamentos. Tal profecia não se refere à volta de um personagem histórico, mas à aquisição de um novo patamar de consciência. Trata-se de um salto evolutivo, em tudo semelhante àquele anunciado por Aurobindo. Zane Curfman o explicou com exclusividade a BONS FLUIDOS. “Estamos agora em Taripaypacha, a era de re-encontrarmos a nós mesmos”, disse. “Neste tempo, afirma a profecia, se apresenta a oportunidade de um avanço. É uma oportunidade, não uma garantia, pois o que será alcançado pela humanidade depende do esforço individual de cada um. Se soubermos preservar as culturas, tradições e povos, e seus caminhos di ferentes, e não tentar sub meter este àquele, mas deixar que cada qual se afirme em seus próprios termos, então teremos a chance de realmente aprender uns com os outros. E isso levará a humanidade a uma Idade de Ouro. Não há data fixa para que isso aconteça. Pode ser em 2010, 2012 ou 2017. Mas o tempo é agora. E nós somos aqueles pelos quais estávamos esperando”.
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  Onze minutos, de Paulo Coelho - o Autor fala do livro

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Paulo Coelho
Published:  0000-00-00

Website:  http://www.paulocoelho.com.br/port/
  Description:   "Embora meu objetivo seja compreender o amor, e embora sofra por causa das pessoas a quem entreguei meu coração, vejo que aqueles que me tocaram a alma não conseguiram despertar meu corpo, e aqueles que tocaram meu corpo não conseguiram atingir minha alma" Com estas palavras, escritas aos 17 anos em seu diário, Maria, personagem principal de Onze minutos, novo livro de Paulo Coelho, dá uma pista sobre a busca que realizará ao longo da comovente obra. Para a jovem, decepcionada com os padrões afetivos e sexuais que conhece, torna-se utópica a idéia de que duas pessoas possam ter tanto o corpo quanto a alma unidos em perfeita harmonia num relacionamento. Paulo Coelho, cujos livros foram traduzidos para 56 idiomas e já venderam quase 54 milhões de exemplares em mais de 150 países, desta vez inspira-se na vida de uma prostituta brasileira na Suíça para falar do lado sagrado do sexo. No ano 2000, durante uma tarde de autógrafos em Genebra, o escritor conheceu uma mulher que havia trabalhado nas boates da cidade usando o nome de guerra Maria. Foi depois de ouvir sua história - e a de várias outras moças - que Coelho concluiu que ela seria uma excelente base para a abordagem do assunto que há tanto tempo o interessava. "Para escrever sobre o lado sagrado do sexo, era necessário entender por que ele tinha sido tão profanado", ele explica. A Maria da ficção é nordestina e teve uma adolescência pontuada por frustrações no sertão. Poderia se casar facilmente, mas não quer fazer isso antes de realizar o sonho de conhecer o Rio de Janeiro. Ela economiza durante dois anos e parte para o famoso cartão-postal. Na praia de Copacabana, ela desperta a atenção de um empresário suíço, que logo a convida a acompanhá-lo à Europa, com promessas de transformá-la numa estrela muitíssimo bem remunerada. Sempre disposta a arriscar e com a permissão de sua família, com quem compartilha o sonho dourado, Maria se muda para a desconhecida Genebra tendo em mãos um contrato assinado. Se ela o tivesse lido com atenção, talvez tivesse percebido a armadilha a tempo: um trabalho semi-escravo de dançarina numa casa noturna. Em pouco tempo, ela acaba se tornando prostituta. Com esta trajetória, semelhante à de tantas mulheres, Maria amadurece precocemente e se distancia cada vez mais dos ideais de felicidade que tinha na adolescência. No decorrer de um ano vendendo seu tempo sem poder comprá-lo de volta, como ela diz, a jovem aprende a ser prática e realista, vacinada contra ilusões. Em vez de sonhos, agora ela tem um objetivo: juntar dinheiro para comprar uma fazenda no Brasil. E seu corpo é apenas a fonte de renda necessária para isso. Paralelamente à narrativa, há o diário de Maria, onde ela anota as conclusões tiradas de sua peregrinação às avessas. "Meu livro não se propõe a ser um estudo da prostituição", diz Paulo Coelho. "Procurei fugir por completo de qualquer conotação moralista, de julgar o personagem principal pela escolha que fez. O que me interessa, verdadeiramente, é a abordagem das pessoas com relação ao sexo" De fato, dizer que Onze minutos é a história de uma prostituta seria uma definição muito simplista. Mais importante que a trajetória de Maria é o aprendizado que ela é capaz de extrair de suas duras experiências no exterior. Ela escreve em seu diário: "Os evangelhos e todos os textos sagrados de todas as religiões foram escritos no exílio, em busca da compreensão de Deus (...) - é nesse momento que os livros são escritos, os quadros pintados, porque não queremos e não podemos esquecer quem somos" Pelo menos uma característica a personagem Maria tem em comum com seu criador, Paulo Coelho: ambos são fiéis a si mesmos. O escritor diz que nunca planeja criar ou evitar polêmicas - seu compromisso é apenas falar daquilo que o preocupa, não do que todos gostariam de escutar. "Alguns livros nos fazem sonhar, outros nos trazem a realidade, mas nenhum pode fugir daquilo que é mais importante para um autor: a honestidade com o que escreve", ele explica. Na nota final, você agradece a uma certa Maria, em cuja vida teria sido baseado "Onze minutos". Até que ponto a Maria do livro é a Maria da vida real? O quanto de si mesma ela encontrará na história? Maria é um personagem real, hoje em dia casada e com dois filhos. Entretanto, o livro não é exatamente sua biografia, já que procurei usar vários elementos paralelos. Acho que ela reconheceria sua história ao longo de todo o livro, mas nem sempre enfrentaria as situações como o meu personagem enfrenta. A Maria que você conheceu na Suíça já leu o livro? Caso tenha lido, você pode dizer o que ela achou do resultado? Leu uma primeira versão, em Outubro de 2002. Me disse que o livro é uma mistura de várias pessoas. Eu disse que era exatamente esta a intenção. Perguntou quem escreveu o diário que está no livro, e disse que gostaria de ter escrito aquilo tudo que aparece em seu diário. Pediu que eu trocasse a idade do personagem masculino (eu aceitei, na realidade ele é mais velho do que aparece no livro). Outras mulheres são citadas na nota final por seus nomes de guerra. Elas são todas brasileiras? Suas histórias, assim como a de Maria, também ajudaram a compor a personagem principal? Brasileiras, colombianas, iugoslava, russa, hondurenha. Tê-las conhecido fez com que o livro se tornasse diferente do que você tinha em mente antes? A idéia de escrever sobre sexo era antiga, mas eu não tinha uma linha definida. E a gestação de um livro é algo misterioso para mim; o texto só se manifesta depois que eu já o escrevi no meu subconsciente. Talvez, nas outras tentativas de escrever sobre sexo, eu estivesse muito convencido de abordá-lo apenas em seu aspecto sagrado. Mas a realidade da vida é diferente, e estou muito mais satisfeito com a maneira como resolvi o problema da história. Qual a idéia central de "Onze Minutos"? Vivemos em um mundo de comportamento padrão: padrão de beleza, de qualidade, de inteligência, de eficiência. Achamos que existe um modelo para tudo, e achamos também que, seguindo este modelo, estaremos seguros. E por causa disso, estabelecemos um "padrão sexo", que na verdade é composto de uma série de mentiras: orgasmo vaginal, virilidade acima de tudo, melhor fingir que deixar o outro decepcionado, etc. Como conseqüência direta, este tipo de atitude tem deixado milhões de pessoas frustradas, infelizes, culpadas. E tem provocado todo tipo de aberração, como a pedofilia, o incesto, ou o estupro. Por que nos comportamos assim com algo tão importante? Leia trecho do livro no site oficial http://www.paulocoelho.com.br/port/
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