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Items tagged with: liberdade
Tag was last used: Feb 28, 2011
 
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Toolkits & Publications

  A importância do ócio - Hoje, em grande medida, vive-se concentrado nos meios de vida, mas subestima-se o fim da vida. Muitos se vangloriam de ter agendas cheias de meios, mas não deixam espaço para os fins

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Redação Instituto Akatu - Alberto Benegas Lynch
Published:  0000-00-00

Website:  http://www.mundosustentavel.com.br/destaque.asp
  Description:   Aristóteles escreve na obra Ética a Nicômaco, que as ocupações para contar com recursos para viver são “para ter ócio”, ou seja, para a vida contemplativa, para adentrar-se no sentido da vida e para o conhecimento (daí que “a virtude é o conhecimento”, de acordo com os ensinamentos socráticos). É por isso que, de acordo com Josef Pieper em “O ócio e a vida intelectual”, a expressão “ócio” deriva de escola, “assim, pois, o nome com que denominamos os lugares em que se leva adiante a educação, e inclusive a educação superior, significa ócio”. É por isso que Aristóteles em “A política” sustenta que o ócio é o ponto cardeal em torno do qual gira tudo. Hoje, em grande medida, vive-se concentrado nos meios de vida, mas subestima-se o fim da vida. Muitos se vangloriam de ter agendas cheias de meios, mas não deixam espaço para os fins. Trabalhar para a arbitragem cotidiana, ou seja, trabalhar para comprar barato e vender caro sem o menor esforço de trabalhar o espírito. Como já dito, ninguém no seu leito de morte se arrepende de não ter ido mais ao escritório, contudo, há arrependimentos por não ter alimentado mais a alma. Não são poucos os opulentos materiais, mas paupérrimos intelectuais. O que nos caracteriza como seres humanos e nos diferencia das outras espécies é a psiqué, é a capacidade de mergulhar na nossa origem e de conjecturar acerca de nosso destino. Não contribuímos para fazer que o mundo seja melhor porque nos dedicamos exclusivamente aos meios alimentares, mas sim pelo trabalho que dedicamos para dar alimento aos fins e ao escopo de nossa existência. Sem bússola não é possível chagar a nenhum lugar. Os fundamentos da sociedade aberta resultam indispensáveis para prosperar mas, por uma parte, seria uma tarefa vazia se não forem aproveitados os tempos de ócio apagando-os com mais negócio (não-ócio) e, por outra, a mesma sobrevivência da liberdade depende do uso que seja dado ao ócio, para efeitos de investigar os pilares do respeito recíproco. Conforme William Hazlitt, os negociantes de tempo completo sentem uma insuportável fadiga quando pensam no que excede o meramente comercial, e Robert Louis Stevenson afirma que esses personagens vivem em estado comatoso, já que para eles o mundo que vai mais além do negócio “é um alvo total”. Isto ocorre até que a asfixia totalitária não os deixa respirar, já que estão com uma amarra que lhes rodeia o pescoço… ainda que como predito por Lenin, certos “capitalistas competirão pelas amarras com as quais serão enforcados”. Como bem aponta Pieper, “a falta de ócio, a incapacidade para o ócio, está em relação estreita com a preguiça; da preguiça é de onde procede a intranquilidade e a atividade incansável do trabalhar pelo trabalho”. É a incapacidade para se olhar por dentro, o que, de acordo com Joseph Fabry na sua obra “Em busca de significado”, sucede aos que não podem estar sozinhos, porque são presas da “síndrome do domingo”, precisam de ruído ao seu ao redor para estrangular a vida interior, são aqueles que dão rédeas soltas aos “desejos atávicos e zoológicos”, para fugir de si mesmos, em fuga de “um olhar centrípeta”. Estes pequenos são os que se mofam dos teóricos, ao mesmo tempo em que eles alardeiam de práticos sem perceber que tudo o que usam é indefectivelmente consequência de elaborações teóricas. O pensamento abstrato é para eles um mundo inacessível, sem sabê-lo, somente praticam os ditados dos inovadores, que conceberam tudo aquilo no que descansa o prático. É indispensável antepor o ócio ao negócio para dar chance que a vida espiritual abra o caminho para a sociedade livre. Os adiantamentos tecnológicos devem ir precedidos pelo guia moral, caso contrário inexoravelmente aqueles serão utilizados para o mal. E, não só isso, mas sim que a própria concepção tecnológica reduzirá sua qualidade devido a que os sinais no mercado estarão distorcidos pela intervenção do aparelho estadual e “as melhoras” conseguidas carecerão cada vez mais de significado, já que será em grau crescente, o resultado das demandas da estrutura política e não da gente (e na fase de transição sempre deve se contemplar o contra fático, ou seja, quanto mais se teria conseguido, se tivesse deixado o mercado operar). Diz-se que deve se deixar cada um fazer o seu e se ocupar de seus negócios, mas aqui há duas observações relevantes. Por um lado, “o seu” também é o ócio e não se circunscrever ao negócio. Mas, ainda mais importante é notar que não há o seu se não houver espaço para o ócio, que permite estudar e difundir as ideias da liberdade, inclusive para poder fazer negócios. Constitui um espetáculo bastante vergonhoso, o que fazem a cada tantos anos, aqueles que “fazem o ridículo”, durante o resto do tempo se sentem reivindicados pelas enfáticas opiniões emitidas, enquanto aos candidatos que apoiarão na próxima campanha eleitoral, os quais são naturalmente, cada vez mais esquálidos em seus discursos, devido, precisamente, à oposição destes fantoches durante o resto do tempo. Isto para nada significa desqualificar o mundo dos negócios, sem os quais, entre muitas outras coisas, não disporíamos de pão, de leite, de medicamentos, de moradia, de luz, de livros (nem de jornais). O que se trata é compreender que nada do que apreciamos pode existir - começando pela própria condição humana - se não lhe dedicamos o espaço suficiente para o ócio, no sentido aqui comentado. Com razão aborrece muito, por exemplo, quando se diz pejorativamente que os médicos são comerciantes, como se essa profissão e a medicina em geral, devessem viver de ar e como se quem a condena não estivesse mantido pelo comércio. Finalmente, o comércio significa dar a outros, o que precisam em troca de entregar o que o primeiro requer. São serviços recíprocos. Contudo, há um complexo de inferioridade por não trabalhar tempo integral nos meios de vida. É como se isto desse sentido à própria existência. Tanto é o vazio existencial que há que ser totalmente preenchido com as atividades comerciais, do contrário, a pessoa estima que não é ninguém e, efetivamente, tem razão, mas subestima sua condição de vazio, posto que continua sendo ninguém ainda que esteja no escritório durante as 24 horas ou esteja “conectado” a algum meio eletrônico, porque, na verdade, está desconectado da vida. Para estes sujeitos dedica-se a reflexão de Borges, quando escreve na obra “O fazedor”: “Já se havia adestrado no hábito de simular que era alguém para que não se descobrisse sua condição de ninguém”. * Presidente da Seção Ciências Econômicas da Academia Nacional de Ciências da Argentina. É Professor Emérito da Eseade (Escola Superior de Economia e Administração de Empresas em Buenos Aires), instituição na qual desempenhou o cargo de Decano por 23 anos. Este texto publicadaoa nteriormente no jornal “Diário da América", Nova Iorque, 28 de outubro de 2010. Fonte: Envolverde
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  Sexualidade Feminina com Naturalidade - Revista TPM - "Eu uso Vibrador"

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Nina Lemos - Revista TPM (Trip Para Mulheres)
Published:  0000-00-00

Website:  http://revistatpm.uol.com.br/57/vibrador/home.htm#
  Description:   Duas atrizes, uma roqueira e uma ex-apresentadora de programa sobre sexo assumem os próprios vibradores com orgulho. Soninha Francine admite nunca ter pegado em nas mãos e um escritora acha que eles são a prova de que a revolução ainda é possível por Nina Lemos // fotos Ana Ottoni Ter um vibrador é um sinal de respeito por si mesma e pelo seu prazer.” Assim, a atriz da Globo e vocalista da banda carioca Orchestra Imperial, Thalma de Freitas, 33 anos, define a sensação que teve, há quatro anos, quando entrou sozinha em uma sex shop do Rio de Janeiro e gastou 300 reais com um vibrador que vinha com três capinhas diferentes, estilo multiuso. “Sabe por que comprei? Estava cansada de dar para os caras errados”, diz. “Queria me preservar mais, mas também não estava a fim de abrir mão de sentir prazer.” Se Thalma sentiu vergonha na hora em que entrou sozinha na sex shop? Nenhuma. “Pelo amor de Deus, não é possível que as pessoas ainda tenham vergonha de uma coisa que é para elas. Vergonha, eu tenho de ter beijado alguns caras errados!” Gostou tanto do primeiro brinquedinho que eles viraram mania. Thalma tem uma pequena coleção de vibradores e gosta de chamá-la de kit do prazer. A naturalidade em falar desse assunto e dizer, sem firulas, que vibradores fazem parte da vida será, no entanto, uma mania isolada, de determinados grupos de mulheres? Ou quase toda moça moderna necessariamente já experimentou o brinquedinho? Conversando com outras mulheres, chegamos à conclusão de que, como tudo relacionado a preferências sexuais, não há regra. Ex-apresentadora do extinto Erótica MTV ao lado do psiquiatra pop Jairo Bouer, cuja tônica era justamente a sexualidade, a paulistana Tatiana Mancini, 32 anos, conta que tem, sim, um vibrador, mas diz que nunca se animou a usar sozinha. A graça, garante ela, é usufruir do brinquedinho com o marido. “O vibrador é um instrumento, um complemento. Ensina caminhos, propõe um ritmo. Serve mais para erotizar a história do que dar prazer. É só um acessório que acrescenta”, defende ela, dizendo ainda que vibradores não devem ser tratados como soluções para a falta de um parceiro. “Trata-se de um ato solitário, e não há quem viva sozinho.” “Ter um vibrador é um sinal de respeito por si mesma e pelo seu prazer.” Assim, a atriz da Globo e vocalista da banda carioca Orchestra Imperial, Thalma de Freitas, 33 anos, define a sensação que teve, há quatro anos, quando entrou sozinha em uma sex shop do Rio de Janeiro e gastou 300 reais com um vibrador que vinha com três capinhas diferentes, estilo multiuso. “Sabe por que comprei? Estava cansada de dar para os caras errados”, diz. “Queria me preservar mais, mas também não estava a fim de abrir mão de sentir prazer.” Se Thalma sentiu vergonha na hora em que entrou sozinha na sex shop? Nenhuma. “Pelo amor de Deus, não é possível que as pessoas ainda tenham vergonha de uma coisa que é para elas. Vergonha, eu tenho de ter beijado alguns caras errados!” Gostou tanto do primeiro brinquedinho que eles viraram mania. Thalma tem uma pequena coleção de vibradores e gosta de chamá-la de kit do prazer. A naturalidade em falar desse assunto e dizer, sem firulas, que vibradores fazem parte da vida será, no entanto, uma mania isolada, de determinados grupos de mulheres? Ou quase toda moça moderna necessariamente já experimentou o brinquedinho? Conversando com outras mulheres, chegamos à conclusão de que, como tudo relacionado a preferências sexuais, não há regra. Ex-apresentadora do extinto Erótica MTV ao lado do psiquiatra pop Jairo Bouer, cuja tônica era justamente a sexualidade, a paulistana Tatiana Mancini, 32 anos, conta que tem, sim, um vibrador, mas diz que nunca se animou a usar sozinha. A graça, garante ela, é usufruir do brinquedinho com o marido. “O vibrador é um instrumento, um complemento. Ensina caminhos, propõe um ritmo. Serve mais para erotizar a história do que dar prazer. É só um acessório que acrescenta”, defende ela, dizendo ainda que vibradores não devem ser tratados como soluções para a falta de um parceiro. “Trata-se de um ato solitário, e não há quem viva sozinho.” Você não tem? Se você está lendo tudo isso e se sentindo um ser do outro planeta por nunca ter visto um vibrador, saiba que está longe de ser a única. A vereadora e comentarista de futebol da ESPN Soninha Francine, de 38 anos, faz parte desse time. “Nunca peguei um na mão, só conheço por foto. Não me interessa, não me dá o menor tesão”, admite. “A origem do prazer está no cérebro e, se você não tem condições mentais, não é um vibrador que vai te dar mais tesão. Agora, se hoje as mulheres admitem que gostam e buscam mais prazer, sendo capazes de ir lá e comprar um objeto pra se satisfazer, acho muito positivo.” Independentemente de gostos, falar de vibradores deixou de ser assunto para cochichos e se tornou um papo normal. Basta lembrar que, recentemente, foi noticiado que Kate Moss, o ícone da beleza e da modernidade mundial, comprou um de ouro por 350 dólares para presentear uma amiga. Mas esse modismo, ao mesmo tempo em que se tornou menos polêmico, ainda atinge poucos. “Não é qualquer uma que tem coragem de entrar em uma sex shop e pedir um vibrador”, garante a ginecologista Sonia Rolim, professora da Escola Paulista de Medicina. “O que eu sinto é que as mulheres andam mais curiosas sobre o tema.” A médica acha que o uso de vibradores é importante para que as mulheres conheçam melhor seu próprio corpo. E também para casais que tenham intimidade e curtam, mutuamente, usá-lo durante o sexo. É assim com a atriz Thalma de Freitas, que não conhece a palavra “pudor” ao falar sobre o tema. Ela comprou seu primeiro vibrador quando estava solteira. Depois de casada, o brinquedinho virou parte da rotina do casal. “Meu marido adora que eu tenha um e gosta de me ver usar”, diz a atriz. Casada há três anos, ela está fazendo o mito de que vibrador é coisa para mulher encalhada cair por terra. A atriz Jayne, de 34 anos, uma paulistana linda de olhos verdes, é outra que ajuda a derrubar o mito. “O vibrador é interessante por vários aspectos. Inclusive para a gente mexer com nossos arquétipos sexuais. As mulheres às vezes são um pouco menino também”, diz a moça. Um certo dia, seu pequeno vibrador, presente de uma amiga, desapareceu. Jayne desconfia de que foi roubado por uma faxineira evangélica (sim, é verdade, este não é um texto de ficção). Há alguns meses, decidiu pedir um para o namorado de presente. “Fui com ele na sex shop e comprei um ótimo.” P, M e G. Você escolhe Escolher um vibrador não é mais tarefa fácil, dado o excesso de opções (só nas páginas seguintes são 18 modelos). Quem quer ser realmente moderno, pode comprar um iBuzz. Trata-se de um aparelho que, conectado ao badalado iPod, vibra ao som da música que você escolher. Já existe também um que começa a funcionar por meio de toque do celular: você liga para a pessoa e aciona o seu vibrador. Mas será que isso tem alguma utilidade ou é papagaiada demais? “Acho que isso funciona mais como jogada de marketing, sexo não é uma coisa assim tão mecânica que você vai discar um número, fazer vibrar e ter prazer. Sei que isso é uma brincadeira, mas que pode vir a vulgarizar o sexo”, atenta a médica Sonia Rolim. O sonho de consumo de mulheres conectadas (literalmente) a vibradores, são os de controle remoto, que vibram em várias intensidades (para os lados e para a frente). Thalma se encantou por um que viu na sex shop onde foi fotografar para esta reportagem, mas desistiu de comprar por causa do preço. “Era quase 900 reais. Mas comentei com meu marido e ele disse que podemos comprar mais barato na Europa.” Sim, vibrador virou peça que você encomenda da “gringa”, como qualquer eletrônico. Nesse vaivém internacional, a vocalista da banda Biônica, Joana Ceccato, de 35 anos, deu sorte. “Uma amiga minha que estava morando nos Estados Unidos comprou um, achou que era muito grande para ela e mandou pra mim de presente, por Sedex.” O vibrador de Joana tem como tema “a princesa e o castor”. “Ele vibra no clitóris e tem outra parte que penetra”, explica. A primeira coisa que Joana fez quando ganhou o presente foi usar, claro. “Adorei, fiquei impressionada. Mas com o tempo cansei. É realmente muito grande, você precisa estar muito no clima.” Hoje, o vibrador está no armário. “Serve pra mostrar se o namorado quiser tirar uma onda. É um bom brinquedo, mas pra mim enjoou.” O vibrador de Joana virou muso. Em uma das músicas de sua banda, ela escreveu: “te deixo o meu vibrador que está guardado no armário, uma foto pelada do meu namorado. E um forninho que nunca foi usado”. O forninho nunca foi usado, reparem. Já o vibrador... A “revolução dos vibradores” empolga a escritora Ivana Arruda Leite, de 55 anos. “Acho que depois da queima dos sutiãs temos este momento maravilhoso que é a liberação da masturbação feminina. Isso é uma revolução”, comemora. A alegria de Ivana tem razão de ser. “Quando eu tinha 30 e poucos anos nenhuma amiga minha tinha vibrador, muito menos eu. Falar em masturbação era praticamente proibido. Se as moças de hoje dizem que compram vibrador, estão assumindo publicamente que se masturbam, o que é maravilhoso.” Para entrar na vibe Os vibradores têm os mais diferentes formatos, tamanhos, materiais e até funções Se você nunca viu vibrador antes, mas está decidida a investir em um, é bom saber que o brinquedinho pode ser movido a pilha, bateria (menor intensidade) ou eletricidade (maior intensidade). Os modelos variam basicamente entre os cilíndricos (para penetração) e os clitorianos. Os cilíndricos costumam ter entre oito e 30 centímetros e formatos como pênis, língua, legumes. Tem o curvo, para atingir o ponto G. Além de vibrar e pulsar, alguns fazem movimentos rotatórios. Os clitorianos geralmente têm entre oito e dez centímetros e formatos como o de borboleta, coelho, tartaruga, cápsula e foguete. Alguns são fixados no quadril por uma cinta, outros usados nos dedos da mão. O material de revestimento também varia entre plástico rígido, silicone, jelly, glitter, marfim, metal e cybersklin (imitação da textura da pele). Prefira sempre os que são à prova d'água para garantir a limpeza. Os que não são podem ter contato com óleos e cremes relaxantes, mas nunca com a pele molhada. Ao fim do uso, lave o brinquedinho com água e detergente e seque-o bem para evitar DSTs. Também é fundamental cobri-lo com preservativos, trocados a cada penetração. Na hora de comprar, cheque se a velocidade da vibração é adequada, se o barulho é tolerável, se é fácil de limpar e se a superfície não machuca a pele. Fonte: Museu do Sexo (www.museudosexo.com.br), coordenadopela psiquiatra Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da USP. (Ariane Abdallah) Reportagem Revista TPM (Trip Para Mulheres)
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  Raízes do Abuso Sexual Infantil

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Silmara Barbosa
Published:  2007-01-19

Website:  http://carosamigos.terra.com.br/
  Description:   Sozinha na redação do jornal em que trabalho, recebi a ligação de um colega de profissão nos passando uma "pauta": senhor de 60 anos foi pego numa cidade vizinha mantendo relações sexuais com um menino de nove. Bem, de início, quero deixar claro que não sou repórter da editoria de Polícia e sim de Cidades. No entanto, a colega que normalmente cobriria a história estava doente e não compareceu ao serviço. Por isso, quando a secretária atendeu o telefonema e perguntou se eu poderia fazer aquela matéria, aceitei que repassasse a ligação para mim. Pensei que daria conta. Afinal, muitas notícias são publicadas a respeito desse assunto com certa freqüência. Se tantos fazem, por que eu não poderia? Mesmo com apenas dois meses de experiência em Jornalismo, acreditei que tinha essa capacidade. Como dizem os ingleses, o sino ainda não tinha tocado, ou, os brasileiros, a ficha ainda não caído. Então, liguei para o delegado responsável pelo caso. Ele me passou os dados iniciais sobre o acusado e disparou a contar o ocorrido: "o homem tirou a sua roupa e do menino também e deu R$1,00 para o menor pegar no seu pênis". E explicou porque não me poupava dos detalhes, apesar de eu não ter aberto a boca: "A senhora é adulta, se não fosse, não lhe diria essas coisas". E antes que pudesse protestar contra aquilo e o que ele pensava que era meu direito de ouvir seu relato do fato, o delegado continuou: "esse senhor pediu que o garoto se posicionasse para que pudesse penetrá-lo, mas não conseguiu, porque o menino gritou de dor quando ele tentou fazê-lo". Ainda em silêncio, meu corpo todo se contorceu. Mas ainda ouvi o resto: "Para se satisfazer o homem pediu que o garoto praticasse sexo oral nele, mas não sabemos se ele chegou a ejacular na boca da criança". Pronto. Ele tinha terminado a história, que parecia de certo indispensável ao meu trabalho, no seu ponto de vista. Após tentar recobrar um mínimo de tranqüilidade, procurei fingir normalidade perante o relato, pois imaginei que era assim que a maioria dos repórteres devia agir, e passei a discutir aspectos técnicos do caso com o delegado. Porém, não fui muito bem sucedida. Eu queria encerrar a conversa o mais rápido possível e não procurei apurar bem o fato, tanto que levei uma bronca de um editor no final do dia. Só então me dei conta: o assunto me incomodava e muito. Então lembrei que em algum momento do testemunho do delegado, o sino tocou. E de forma estrondosa. Parece que ainda o sinto tocar dentro de mim. Minhas mãos estão geladas e trêmulas. Penso que o assunto não é agradável para qualquer um, fora os pedófilos. No entanto, me parecia mais desagradável do que para os outros. Esses parecem ficar chocados e revoltados. Eu não consegui ter uma reação definida. Colocava-me no lugar da criança. Impassível, paciente, à mercê de seu predador. O sino acabava de despencar na minha cabeça. Eu já estive no lugar dessa criança. Relutei em me lembrar disso e busquei não me demorar nessa memória. A mesma paralisia de quem sofre abuso na infância tomou conta do meu pensamento. Logo despachei o delegado, para fingir que aquilo não estava acontecendo comigo. Ou que não tinha acontecido comigo. Por que ele me contou tudo tim-tim por tim-tim? "Será que ele fazia isso com tudo mundo?", perguntei a mim mesma, na minha ignorância. Então, por que não se publica essa parte desse tipo de história? Por que é muito feio? Ou muito real? Ou por que é verdade e como diz a sabedoria popular, a verdade dói? Pois ela dói muito mais com o silêncio. Não poder falar a respeito é um martírio que pode levar à loucura quem não suporta o peso dessa cruz. Queria saber por que vítimas desse tipo de abuso têm tão pouco espaço na mídia. Concordo que crianças não devem ser expostas e sim ter suas identidades preservadas. Mas, e depois, quando elas se tornam adultas? Por que elas só aparecem em documentários melosos que exploram suas histórias para apelar ao sentimentalismo barato da população? Ou, atrás das grades, quando também se tornam perpetradoras de abusos contra menores? Será que não existe outra saída para quem passa por isso, a não ser se tornar uma pessoa perturbada para o resto da vida? Bem, uma dessas crianças virou jornalista. E cansou do tratamento que o assunto recebe dos meios de comunicação. Eu acredito que sei mais sobre isso do que muitos especialistas que se arvoram donos da verdade quando a opinião de alguém é pedida sobre tão delicado tema. Não, não nos tornamos maníacos sexuais necessariamente, se alguém ainda tem dúvidas. Desejo por crianças é algo que não possuo. No entanto, nossa sexualidade pode ser desviada por causa desse tipo de experiência. Eu, por exemplo, por ter sido abusada por uma pessoa do mesmo sexo que o meu, uma babá, durante muito tempo acreditei que era lésbica. Porém, nunca fui capaz de fazer sexo com uma outra mulher de livre e espontânea vontade. Só agora, aos 26 anos, sei que o meu verdadeiro desejo é heterossexual. No entanto, passei pelo que todo homossexual passa: preconceito, dificuldade em se aceitar e se assumir. Mas eu o fiz: contei para meus pais, para o seu desgosto na época. Tentei amenizar a situação falando que tinha dúvidas se não era bissexual. Mantive relações sexuais com homens e descobri que tinha mais prazer na companhia desses, o que não foi nenhum alívio para mim. Por mais bisonho que pareça, não me aceito em quanto tal, já que minha experiência inicial não foi com alguém do sexo oposto. É como se eu tivesse que sair do armário de novo, pois eu mesma esperava algo diverso de mim. Acredito que ser homossexual ou bissexual é algo totalmente normal, desde que reflita um verdadeiro desejo de quem tem essa orientação. Passei quase uma década da minha vida lutando para acreditar nisso, enquanto imaginava que fazia parte dessas categorias de definição sexual, que, a meu ver, são usadas para rotular uma coisa muito volátil: o desejo – algo tão ridículo como tentar manter uma bolha de sabão dentro de uma garrafa por muito tempo. Porém, a maioria das pessoas não vê essas inclinações sexuais como algo saudável. É claro que todos fazem coro ao afirmar que não são preconceituosos, principalmente entre aqueles que se dizem mais "esclarecidos" . Todos os dias, onde trabalho, eu tenho que ouvir brincadeiras e piadas entre colegas do sexo masculino, inclusive da chefia, sobre sexualidade. Eles se acusam mutuamente de ser gays e gozam uns dos outros. Como se isso fosse motivo de vergonha ou de chacota. Porque é essa a mensagem implícita nesse discurso. Não vejo a menor graça nisso, mesmo me considerando heterossexual agora. Às vezes rio, creio que de tão nervosa ou por uma desesperada vontade de me encaixar naquele ambiente. No entanto, a insistência deles em comentar o assunto de forma tão galhofeira me levou a analisar esse tipo de comportamento. Contaram-me que isso acontece em outros jornais no Estado, o que não me consola de forma alguma, muito pelo contrário: me revolta. Acredito piamente que esse tipo de atitude é um dos fatores que leva ao abuso sexual infantil. Por quê? Eu explico: a maioria dos crimes é praticada por homens, que preferem a companhia de crianças por ser mais fácil lidar com elas, mais dóceis e obedientes aos seus caprichos e desejos, facilmente passíveis de dominação. Pois é isso que eles buscam: aceitação total de sua vontade. Não conseguem se relacionar com adultos de forma saudável, pois, em pé de igualdade com outra pessoa, sabem que tem que ceder em alguns momentos para manter um compromisso. Por isso preferem a companhia de meninas, que pouco ou quase nada questionam, ao contrário de uma mulher. Têm medo de se sentirem emasculados com cobranças femininas, pois ainda vivem no tempo das cavernas e prefeririam que elas pouco se objetassem aos seus comandos. E eles não querem abrir mão de suas fantasias, muitas vezes homossexuais. É uma hipocrisia muito grande a que leva ao preconceito contra gays, sendo que a maior parte da população mundial já teve pelo menos uma experiência com alguém do mesmo sexo. Mas quem decide se declarar como tal, sofre com a marginalidade em que precisa viver. E os homens que não são heterossexuais são tratados como mulheres, de forma desrespeitosa, por ter, de certa maneira, abandonado o privilégio de macho para se tornar uma fêmea na cama. É uma clara demonstração do valor menor que a mulher possui em nossa sociedade. Portanto, são levados a manter relações clandestinas e esporádicas, com garotos de programa, por exemplo, mesmo sendo casados e com filhos. Alguns passam a freqüentar casas de banho para o mesmo fim, se recusando a criar um vínculo afetivo com qualquer um do mesmo sexo. Mas a neurose é maior em outros, que têm dificuldade em admitir que sejam homossexuais até para si mesmos e evitam se relacionar sexualmente com alguém do mesmo sexo, mesmo que a possibilidade de serem descobertos seja quase nula. Isso pode levá-los a tentar satisfazer seu desejo com crianças. Afinal, para uma mente transtornada, são apenas brincadeiras. Usam os menores como objetos, já que se sujeitam com facilidade aos adultos. Alguém que fosse maior de idade poderia confrontá-los, mesmo que indiretamente, ao se tornarem um espelho do que realmente são: gays. Em suma, combater o abuso sexual e a prostituição infantis, através de leis e fiscalização mais severas, além de propagandas contra essa prática, não é o suficiente. É preciso uma mudança de mentalidade. Enquanto nossa cultura for machista, hipócrita e preconceituosa, isso vai continuar acontecendo. Se vivêssemos nossa sexualidade de forma mais saudável, como acreditamos erroneamente – por causa do carnaval e quase nudez nas nossas inúmeras praias – não seríamos campeões em venda de sexo. E de mulheres para isso, aqui e no exterior. Eu tomei um passo para quebrar esse círculo vicioso do silêncio. E você, o que pode fazer a respeito? Silmara Barbosa é jornalista Publicado na Revista Caros Amigos edição 118.
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