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Items tagged with: leito
Tag was last used: Dec 3, 2010
 
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Toolkits & Publications

  A importância do ócio - Hoje, em grande medida, vive-se concentrado nos meios de vida, mas subestima-se o fim da vida. Muitos se vangloriam de ter agendas cheias de meios, mas não deixam espaço para os fins

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Redação Instituto Akatu - Alberto Benegas Lynch
Published:  0000-00-00

Website:  http://www.mundosustentavel.com.br/destaque.asp
  Description:   Aristóteles escreve na obra Ética a Nicômaco, que as ocupações para contar com recursos para viver são “para ter ócio”, ou seja, para a vida contemplativa, para adentrar-se no sentido da vida e para o conhecimento (daí que “a virtude é o conhecimento”, de acordo com os ensinamentos socráticos). É por isso que, de acordo com Josef Pieper em “O ócio e a vida intelectual”, a expressão “ócio” deriva de escola, “assim, pois, o nome com que denominamos os lugares em que se leva adiante a educação, e inclusive a educação superior, significa ócio”. É por isso que Aristóteles em “A política” sustenta que o ócio é o ponto cardeal em torno do qual gira tudo. Hoje, em grande medida, vive-se concentrado nos meios de vida, mas subestima-se o fim da vida. Muitos se vangloriam de ter agendas cheias de meios, mas não deixam espaço para os fins. Trabalhar para a arbitragem cotidiana, ou seja, trabalhar para comprar barato e vender caro sem o menor esforço de trabalhar o espírito. Como já dito, ninguém no seu leito de morte se arrepende de não ter ido mais ao escritório, contudo, há arrependimentos por não ter alimentado mais a alma. Não são poucos os opulentos materiais, mas paupérrimos intelectuais. O que nos caracteriza como seres humanos e nos diferencia das outras espécies é a psiqué, é a capacidade de mergulhar na nossa origem e de conjecturar acerca de nosso destino. Não contribuímos para fazer que o mundo seja melhor porque nos dedicamos exclusivamente aos meios alimentares, mas sim pelo trabalho que dedicamos para dar alimento aos fins e ao escopo de nossa existência. Sem bússola não é possível chagar a nenhum lugar. Os fundamentos da sociedade aberta resultam indispensáveis para prosperar mas, por uma parte, seria uma tarefa vazia se não forem aproveitados os tempos de ócio apagando-os com mais negócio (não-ócio) e, por outra, a mesma sobrevivência da liberdade depende do uso que seja dado ao ócio, para efeitos de investigar os pilares do respeito recíproco. Conforme William Hazlitt, os negociantes de tempo completo sentem uma insuportável fadiga quando pensam no que excede o meramente comercial, e Robert Louis Stevenson afirma que esses personagens vivem em estado comatoso, já que para eles o mundo que vai mais além do negócio “é um alvo total”. Isto ocorre até que a asfixia totalitária não os deixa respirar, já que estão com uma amarra que lhes rodeia o pescoço… ainda que como predito por Lenin, certos “capitalistas competirão pelas amarras com as quais serão enforcados”. Como bem aponta Pieper, “a falta de ócio, a incapacidade para o ócio, está em relação estreita com a preguiça; da preguiça é de onde procede a intranquilidade e a atividade incansável do trabalhar pelo trabalho”. É a incapacidade para se olhar por dentro, o que, de acordo com Joseph Fabry na sua obra “Em busca de significado”, sucede aos que não podem estar sozinhos, porque são presas da “síndrome do domingo”, precisam de ruído ao seu ao redor para estrangular a vida interior, são aqueles que dão rédeas soltas aos “desejos atávicos e zoológicos”, para fugir de si mesmos, em fuga de “um olhar centrípeta”. Estes pequenos são os que se mofam dos teóricos, ao mesmo tempo em que eles alardeiam de práticos sem perceber que tudo o que usam é indefectivelmente consequência de elaborações teóricas. O pensamento abstrato é para eles um mundo inacessível, sem sabê-lo, somente praticam os ditados dos inovadores, que conceberam tudo aquilo no que descansa o prático. É indispensável antepor o ócio ao negócio para dar chance que a vida espiritual abra o caminho para a sociedade livre. Os adiantamentos tecnológicos devem ir precedidos pelo guia moral, caso contrário inexoravelmente aqueles serão utilizados para o mal. E, não só isso, mas sim que a própria concepção tecnológica reduzirá sua qualidade devido a que os sinais no mercado estarão distorcidos pela intervenção do aparelho estadual e “as melhoras” conseguidas carecerão cada vez mais de significado, já que será em grau crescente, o resultado das demandas da estrutura política e não da gente (e na fase de transição sempre deve se contemplar o contra fático, ou seja, quanto mais se teria conseguido, se tivesse deixado o mercado operar). Diz-se que deve se deixar cada um fazer o seu e se ocupar de seus negócios, mas aqui há duas observações relevantes. Por um lado, “o seu” também é o ócio e não se circunscrever ao negócio. Mas, ainda mais importante é notar que não há o seu se não houver espaço para o ócio, que permite estudar e difundir as ideias da liberdade, inclusive para poder fazer negócios. Constitui um espetáculo bastante vergonhoso, o que fazem a cada tantos anos, aqueles que “fazem o ridículo”, durante o resto do tempo se sentem reivindicados pelas enfáticas opiniões emitidas, enquanto aos candidatos que apoiarão na próxima campanha eleitoral, os quais são naturalmente, cada vez mais esquálidos em seus discursos, devido, precisamente, à oposição destes fantoches durante o resto do tempo. Isto para nada significa desqualificar o mundo dos negócios, sem os quais, entre muitas outras coisas, não disporíamos de pão, de leite, de medicamentos, de moradia, de luz, de livros (nem de jornais). O que se trata é compreender que nada do que apreciamos pode existir - começando pela própria condição humana - se não lhe dedicamos o espaço suficiente para o ócio, no sentido aqui comentado. Com razão aborrece muito, por exemplo, quando se diz pejorativamente que os médicos são comerciantes, como se essa profissão e a medicina em geral, devessem viver de ar e como se quem a condena não estivesse mantido pelo comércio. Finalmente, o comércio significa dar a outros, o que precisam em troca de entregar o que o primeiro requer. São serviços recíprocos. Contudo, há um complexo de inferioridade por não trabalhar tempo integral nos meios de vida. É como se isto desse sentido à própria existência. Tanto é o vazio existencial que há que ser totalmente preenchido com as atividades comerciais, do contrário, a pessoa estima que não é ninguém e, efetivamente, tem razão, mas subestima sua condição de vazio, posto que continua sendo ninguém ainda que esteja no escritório durante as 24 horas ou esteja “conectado” a algum meio eletrônico, porque, na verdade, está desconectado da vida. Para estes sujeitos dedica-se a reflexão de Borges, quando escreve na obra “O fazedor”: “Já se havia adestrado no hábito de simular que era alguém para que não se descobrisse sua condição de ninguém”. * Presidente da Seção Ciências Econômicas da Academia Nacional de Ciências da Argentina. É Professor Emérito da Eseade (Escola Superior de Economia e Administração de Empresas em Buenos Aires), instituição na qual desempenhou o cargo de Decano por 23 anos. Este texto publicadaoa nteriormente no jornal “Diário da América", Nova Iorque, 28 de outubro de 2010. Fonte: Envolverde
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  Crônica de uma Catástrofe Ambiental

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Revista Fórum - Reportagem Especial
Published:  0000-00-00

Website:  http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/
  Description:   Na madrugada do dia 18 de novembro de 2008, um líquido leitoso escorreu silenciosamente para as águas barrentas do rio Pirapetinga. Veneno. Os peixes que entravam em contato com aquilo tinham o sistema nervoso atacado. Convulsões. Hemorragia interna. Morte. O vazamento seguiu por horas, sem que ninguém percebesse. Tempo suficiente para que o produto químico saísse do afluente e chegasse ao principal rio que abastece o estado do Rio de Janeiro: o Paraíba do Sul. Ninguém sabia ainda, mas as próximas horas trariam pânico aos municípios próximos. Os relatos são muitos, e por isso não se sabe ao certo quem primeiro avistou a nuvem de peixes mortos que chegava em Barra Mansa (RJ), a primeira cidade afetada. A notícia era de que havia algo de muito errado com as águas do rio que percorre 37 municípios no Rio de Janeiro e abastece 12 milhões de pessoas, segundo a Fiperj (Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro). “Nós não fomos comunicados por Resende [cidade onde ocorreu o vazamento]. Um agente ambiental nosso viu e então as providências foram tomadas. Ficou todo mundo apavorado, porque ninguém sabia de onde era o problema”, conta Marco Chiesse, secretário do Meio Ambiente de Barra Mansa O município avisou a capital, que tomou uma decisão drástica, sem saber ao certo o que estava acontecendo, como explica a secretária de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Marilene Ramos: “Mandamos fechar o abastecimento na quarta-feira [o acidente ocorreu na terça de madrugada]. Tomamos essa decisão no escuro, porque nossa equipe só chegou no local na quarta de tarde. Achamos estranho, mandamos fechar. Isso significa comprometer o abastecimento de milhões de pessoas. Mas foi para prevenir riscos”. A nuvem tóxica andou 500 quilômetros do rio, até o mar. “Percorreu toda a extensão do rio, e por onde o veneno passava foi aniquilando o manancial de peixes”, relata o delegado Fernando Reis, responsável pela investigação criminal do caso, da Delegacia de Meio Ambiente. Várias cidades recolheram peixes mortos, tentando aliviar o cheiro que infestava as casas ribeirinhas, procurando evitar doenças. Muitos foram incinerados, outros levados para o lixão de Carmo, município da região. Caso fossem enterrados próximos, poderiam contaminar o solo e os lençóis freáticos. Sérgio Coelho, presidente da Associação dos Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa, conta que só ele tirou uns 3 mil quilos de peixe, num barco pequeno, desses com um motor simples atrás. “Ensacamos e levamos para o forno da CSN. Estava um mal-cheiro do cacete. O rio e aquilo branco, tomado de peixe. Doía. Dói. A gente depende dos peixes”. A contagem final do estrago ainda não está pronta, porque cada município retirou toneladas do leito. Só a Federação de Pescadores do Estado do Rio de Janeiro cedeu quatro caminhões, com capacidade para 25 toneladas cada, que saíram cheios. Outras 50 toneladas ficaram presas nas grades de contenção da Usina Hidrelétrica Ilha dos Pombos, próximo ao município de Carmo. Até no mar é provável que houve estragos. “Tivemos 40 quilômetros de praia onde tiramos peixes mortos. Teve tartaruga, capivara. Não podemos afirmar que foi relacionado, mas foi na mesma época”, diz Marilene Ramos, secretária de Meio Ambiente do RJ. O Ibama fala em centenas de toneladas de peixes mortos. Veja na íntegra clicando no link logo abaixo.
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