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Items tagged with: censura
Tag was last used: Dec 17, 2011
 
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Posted By:  lbczhpruan
Posted On:  Dec 17, 2011

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Posted On:  Dec 17, 2011

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Posted On:  Dec 16, 2011

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Posted On:  Dec 16, 2011

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Posted On:  Dec 16, 2011

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Posted On:  Dec 16, 2011

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Posted On:  Dec 16, 2011

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Posted On:  Dec 16, 2011

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Toolkits & Publications

  Regulamentação da mídia NÃO é sinônimo de censura

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Cynara Menezes - Carta Capital
Published:  0000-00-00

Website:  http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/regulamentacao-da-midia-nao-e-sinonimo-de-censura
  Description:   Seminário internacional em Brasília discute normas que já existem em países desenvolvidos. Mas grandes grupos de comunicação querem que tudo continue como está Mais do que buscar fontes de inspiração para seu próprio projeto de controle social da mídia, o Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, promovido pela Secretaria de Comunicação da Presidência esta semana em Brasília, parecia ter o intuito de tentar tranquilizar setores supostamente preocupados com a liberdade de expressão. Afinal, mostrou o encontro, a regulamentação é uma realidade em países desenvolvidos como o Reino Unido, a França e Canadá, entre muitos outros. Mas que nada: ao noticiar que o ministro Franklin Martins iria “insistir” no projeto, os jornais e tevês brasileiros voltaram a bater na tecla da censura. Franklin chegou a dizer que as críticas ao projeto, que, apostou, será mesmo apresentado pela presidente Dilma Rousseff ao Congresso, não passam de subterfúgios, porque não existe possibilidade de censura. “Essa história de que a liberdade de imprensa está ameaçada é bobagem, fantasma, é um truque. Isso não está em jogo”, afirmou. Rapidamente, a Abert (Associação das Emissoras de Rádio e TV) reagiu. “Enxergamos de modo diferente. Não estamos vendo fantasmas. São coisas que estão acontecendo”, disse Luis Roberto Antonik, diretor-geral da entidade, embora ponderando que Franklin nunca tenha usado “o poder dele para restringir a liberdade de expressão”. Na quarta-feira 10, último dia do seminário, o ministro da Secom voltou a reafirmar que a intenção do governo é, como acontece nos demais países, estabelecer obrigações, não proibições, em termos de conteúdo, como por exemplo a proteção da língua, da cultura nacional e das crianças e menores de idade. “Estes fantasmas deveriam ficar no sótão, a regulação não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Na maioria dos países, quando se fala em regular conteúdo, não se fala em censura. Não tem volta de dona Solange”, disse Franklin, em referência à famosa censora do cinema e da TV da época da ditadura militar. Ao que tudo indica, todos estão surdos. Fala-se em controle social e os donos de jornais e tevês escutam “censura”. Nos principais sites informativos dos maiores grupos noticiosos, durante os dois dias em que aconteceu o seminário o projeto idealizado pelo governo era descrito como de “controle da imprensa”. Por trás da preocupação com a liberdade de expressão, porém, esconde-se o real temor, por parte das “nove ou dez famílias” que controlam a comunicação no país (para usar as palavras do presidente Lula) de que o projeto do governo represente desconcentração do setor. “A Sociedade Interamericana de Imprensa é um grupo de empresários, donos de jornais, preocupados em defender seu negócio. A liberdade de expressão pertence aos cidadãos, não é propriedade deles”, declarou Gustavo Bulla, diretor Nacional de Supervisão da AFSCA (Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual), órgão regulador argentino. Simultaneamente ao evento brasileiro ocorria em Mérida, no México, a 66a. reunião da SIP, que reuniu editores e executivos de jornais e meios de comunicação das Américas. A entidade mostrou sua “preocupação” com a iniciativa tomada por alguns Estados brasileiros de criar agências reguladoras de mídia, e pediu aos governadores “veto sumário” às propostas. Segundo o ministro Franklin Martins, cada país possui seu próprio modelo regulatório, e o Brasil ainda vai escolher o seu. O exemplo da Argentina é instigante. A lei sancionada há um ano pela presidente Cristina Kirchner não tem nada a ver com a venezuelana, como se acusa, e sim com os modelos canadense e norte-americano. “Como no Brasil, também fomos chamados de ‘chavistas’”, conta Bulla. “Isso se faz para colocar medo nos cidadãos.” O que não significa que os argentinos não foram ousados em sua proposta. Não à toa, o maior grupo de comunicação do país, o Clarín, vive às turras com o governo e é considerado “o maior partido de oposição” a Kirchner. Se já há tanta polêmica no Brasil em torno do marco regulatório, imaginem se fosse feito aqui o que ocorreu na Argentina: em agosto do ano passado, a transmissão das partidas de futebol foi simplesmente “estatizada”. Bulla conta que, como os jogos eram transmitidos via TV a cabo, isso fazia com que uma parte enorme da população não tivesse acesso ao futebol a não ser em locais públicos, como restaurantes, bares e pizzarias. O governo decidiu, então, negociar com a AFA (Associação de Futebol Argentino) a compra dos direitos de transmissão e propôs pagar o dobro do que oferecia o Clarín e a empresa Torneos y Competencias, detentores dos direitos havia 18 anos. Desde então, todo mundo tem acesso aos jogos via TV estatal, o canal 7. “Eles tentaram ir à Justiça contra a decisão do governo, mas não conseguiram nada”, conta Bulla, citando uma frase do popular locutor esportivo Victor Hugo Morales: “Os direitos exclusivos do futebol foram o cavalo de Tróia da concentração dos meios de comunicação na Argentina”. Além de democratizar o acesso ao futebol, a lei significou não só desconcentração econômica como cultural. Antes, como as rádios de todo o país apenas repetiam a programação vinda de Buenos Aires, um habitante da Patagônia, por exemplo, acordava com notícias sobre o tráfego na capital e não sobre sua própria região. “Isso matava as manifestações regionais de cultura”, diz Gustavo Bulla. Com a nova lei, a mera repetição de conteúdo foi restringida, assim como a possessão de até 24 concessões por um mesmo grupo de comunicação. O que é bom para a Argentina talvez seja bom para o Brasil – e aí reside o verdadeiro temor dos donos da imprensa, não fictícios atentados à liberdade de expressão. Só falta o governo brasileiro querer questionar também as exclusividades milionárias das transmissões desportivas. Isto também seria considerado censura?
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  Entrevista com Contardo Calligaris sobre Sexo, Amor e etc.

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Contardo Calligaris em entrevista para Revista Playboy
Published:  2003-08-00

Website:  http://sexogranaecomida.com/outros/Playboy347_0604_files/Page371.htm
  Description:   PLAYBOY - Mas não precisamos de reconhecimento quando buscamos o próprio prazer. Contardo - Às vezes, sim. Um cara que se olha no espelho enquanto transa, por exemplo, está mais interessado em verificar o que a mulher está vendo e se essa imagem é digna de aprovação do que no próprio prazer. Falar de comida enquanto se come, algo que se tornou muito comum hoje em dia, é uma forma de exibir competências. Saber escolher o vinho para um determinado prato ou reconhecer ingredientes são coisas que fazemos mais para obter aprovação do que para intensificar nosso prazer. PLAYBOY - Você já disse que sexo e carinho são coisas distintas. Como assim? Contardo - O sexo e o amor não convivem no mesmo momento. A pessoa, sobretudo a mulher, pode precisar se sentir amada para se entregar ao tipo de esculhambação do corpo que o sexo representa, mas isso não significa que essas duas coisas coexistam. Metaforicamente, o sexo despedaça o corpo e o amor o reconstitui. Não tem como ser de outro jeito. O sexo não tem como respeitar o ego do outro. A fantasia sexual não pode colocar o respeito do outro como regra. Se isso acontece, todas as partes começam a achar o sexo tão chato que vão procurar outra pessoa. PLAYBOY - Mas quando um homem se preocupa com o prazer da mulher não há uma coexistência de amor e sexo? Contardo - Isso é um grande problema masculino, né? [Risos.] Eu acho que é uma questão infeliz se você quer saber. É mais um impedimento do que qualquer outra coisa. Talvez isso faça parte da construção da nossa imagem masculina. Queremos ser aqueles que fazem as mulheres gozarem. E essa preocupação acaba sendo desastrosa para a transa. Se o gozo sexual se resumisse ao orgasmo, era só toda mulher comprar um vibrador. PLAYBOY - Então o egoísmo é bom para o sexo? Contardo - O egoísmo, em matéria de sexo, não é tão mau assim. O obstáculo a uma boa relação sexual não é tanto uma falta de sintonia física, mas a inibição de cada um com relação às suas fantasias. O que torna o sexo interessante é quando cada parceiro tem a coragem de assumir e realizar suas fantasias. PLAYBOY - Que fantasias? Contardo - Ah, de qualquer tipo. São bastante variadas, embora possam ser reduzidas a um catálogo de tipos. Sexo sem fantasia não existe. Os animais têm um estímulo sexual que é diretamente ligado à procriação, mas o homem não. A nossa sexualidade não tem nada de “natural”. Ela é estimulada por fantasias. O sexo se cultiva. É importante que o casal cultive suas fantasias sexuais. É importante pensar em sexo fora do momento em que se chega à cama. PLAYBOY - Nesse sentido, os homens são mais sexuais que as mulheres? Contardo - Tem um pouco essa ideologia de que as mulheres são mais a favor do amor e os homens mais a favor do sexo. Não é bem assim. As mulheres são muito mais capazes de viver aventuras sexuais do que os homens gostam de imaginar. É muito freqüente, quando acontecem aventuras desse tipo, que o homem não largue do pé dessa mulher. Os homens se apaixonam com muita facilidade, são grandes amantes. Os homens acreditam muito mais na perfeição que as mulheres. As mulheres são mais realistas e, por isso, mais inteligentes. Por outro lado, elas têm uma tendência muito maior à erotomania, a convicção inabalável de que são amadas pelo parceiro. PLAYBOY - O amor existe? Contardo - Existe. Mas não como pensamos. Amar é imaginar que a outra pessoa tenha as qualidades que, para nós, deveria ter a pessoa por quem gostaríamos de ser amados. É complicado. “Eu amo fulana” significa que eu idealizo fulana como a pessoa por quem eu gostaria de ser amado. O amor é sempre uma forma de idealização. É por isso que o amor gosta de ser recíproco. Essa é a definição clínica do amor. PLAYBOY - Então por que achamos que o sexo fica melhor quando estamos amando? Contardo - O sexo é sempre mais interessante entre pessoas que têm uma história. A qualidade das transas, se é que isso pode ser avaliado, aumenta quanto mais um casal se conhece. O sexo se aprimora não tanto porque descobrimos os recantos do corpo do outro que precisam ser estimulados mas porque as pessoas se soltam mais. A repetição e a familiaridade permitem que tenham acesso às fantasias um do outro. Isso se torna uma descoberta de coisas que podem fazer juntos. Não são necessariamente coisas extravagantes. Não precisa ter a fantasia de transar com o outro vestido de freira pendurado pelos pés numa piscina [risos]. Mas precisa descobrir a fantasia do outro, que ele descubra a nossa e que essas coisas se misturem. Isso leva tempo. PLAYBOY - A pornografia é boa nesse sentido? Contardo - Eu aprendi bastante com filmes pornográficos. Eu tinha um primo, o Giancarlo, que foi de muita importância na minha educação “sentimental” [risos]. Ele tinha uma enorme coleção de filmes pornográficos e me dava acesso tácito a eles. Eu achei aquilo muito interessante. Eu descobri muito mais do que se tivesse esperado por alguém para me ensinar e tenho certeza de que a experiência não me arruinou. A pornografia pode funcionar como uma janela para o desenvolvimento das próprias fantasias sexuais, o que é positivo. Se meu filho de 13 anos tivesse que ver Clube da Luta ou Garganta Profunda, preferiria que ele visse Garganta Profunda. PLAYBOY - Você acha que deveríamos censurar menos a pornografia? Contardo - Não necessariamente. Acho que deveríamos censurar mais a violência. Quanto à pornografia, acho que as coisas estão bem. O acesso ao sexo é muito mais interessante quando ele se dá às margens da autoridade do que com autorização. Tem muitas coisas na vida que precisamos deixar num espaço cinza. PLAYBOY - Você escreve bastante sobre o Brasil e os brasileiros. Para você, quais são as principais características da sociedade brasileira? Contardo - O Brasil é uma sociedade ao mesmo tempo moderna e arcaica. Por um lado, somos extremamente modernos, porque a diferença social se dá por meio da riqueza e do consumo. Por outro, essa diferença social é vivida como se fosse uma diferença de casta. Depois de uns cinco anos vivendo no Brasil — e o Brasil pega na gente —, fui a Paris visitar meu filho. Estava num café e queria fazer um pedido. Então, levantei o meu braço e estalei os dedos. O garçom ouviu o barulho e, completamente paralisado, perguntou: “Você está falando comigo?” Eu me dei conta de que estava fazendo um troço completamente inaceitável. O cara ia me dar um soco, me mandar à puta que o pariu e o dono do café ia lhe dar razão. Mas, no Brasil, isso é normal. As pessoas se prevalecem dos apetrechos de seu sucesso narcisista para tratar os outros como escravos. É como se quisessem perpetuar uma ordem que não existe mais. PLAYBOY - Você acha que é assim que os brasileiros são vistos lá fora: como uma sociedade arcaica e atrasada? Contardo - Não. Mas, apesar dos esforços de modernização do Brasil, o país ainda é visto, sobretudo, como um sonho exótico. E é difícil ser visto como exótico, porque o exotismo é a face legal do racismo, por assim dizer. A vergonha desse exotismo é, certamente, uma face da identidade nacional. PLAYBOY - Você é imigrante e teve muitos pacientes brasileiros que emigraram para os EUA. O que eles podem ensinar a nós que ficamos no Brasil? Contardo - A conclusão a que a gente chega é que ninguém deveria nunca viajar. Quem começa a viajar — e não estou falando em passar férias, mas em se transplantar — não tem motivo para parar. A dúvida entre a continuação da viagem e o retorno se torna uma parte constante de sua vida. Em minhas viagens entre Nova York e São Paulo, conversei com diversos brasileiros que estavam sendo deportados para o Brasil e, curiosamente, se sentiam completamente aliviados. Não que eles quisessem ir embora dos Estados Unidos, mas estavam aliviados que a decisão tinha sido tomada por terceiros. PLAYBOY - Muitos desses brasileiros emigraram em busca da felicidade. Por que é tão difícil sermos felizes? Contardo - Nossa cultura é fundamentada na idéia de que a vida não é sustentada pela satisfação das necessidades, mas pela satisfação dos desejos. O que nos interessa são os desejos, não as necessidades. Do contrário, a vida seria simples. Isso parece curioso num país como o Brasil, em que muitas pessoas não satisfazem suas necessidades básicas. O problema é que, mesmo para essas pessoas, os desejos passam na frente das necessidades. Quando começaram a implantar o Fome Zero, por exemplo, havia um dilema entre dar dinheiro ou alimentos como benefício. Havia um receio de que, dando dinheiro, as pessoas comprariam coisas supérfluas, quando o intuito do programa era atender às suas necessidades básicas. Mas, numa cultura moderna, dizer para uma pessoa que ela não tem direito a desejar o supérfluo é o mesmo que dizer que ela é um bicho e não um ser humano. São os nossos desejos que nos definem como sujeitos. Isso é um traço cultural, não uma invenção de alguns capitalistas. As indústrias surgiram porque houve uma imensa mudança cultural. O.k., é difícil saber se veio primeiro o ovo ou a galinha e, no fundo, tanto faz. O importante é que isso faz com que a insatisfação nos seja inerente, porque o supérfluo tem a função social de nos diferenciar. Como não nos diferenciamos por berço, geramos reconhecimento por meio da quantidade de coisas supérfluas das que dispomos. E isso é sem fim, porque nunca vamos ter reconhecimento suficiente. É uma sensação diferente da fome, que passa com a ingestão de alimento. De reconhecimento ninguém se cansa. PLAYBOY - Mas certamente há pessoas que estão satisfeitas com o que têm? Contardo - É cool parecer satisfeito, porque essa é uma das maneiras de sentirmos que somos vistos positivamente pelos outros. Ser invejado é um dos valores da nossa cultura, embora não seja um valor muito legal [risos]. A inveja é um motor muito importante na modernidade. Não digo que é impossível ser feliz. Deve haver alguns poucos, sábios, que conseguem se retirar do circuito dessa ânsia por reconhecimento. Mas sabemos que são as exceções, porque, se não fossem, o mundo pararia. O consumo dessas pessoas seria infinitamente menor. A máquina produtiva e comercial entraria em colapso. E não é isso que observamos por aí. PLAYBOY - Estaríamos melhores se não buscássemos a felicidade? Contardo - Na sociedade moderna, o direito de ser feliz nos é transmitido como uma obrigação. Você tem a obrigação de ser feliz de várias maneiras. Por exemplo, existe ou existiu o mito do orgasmo simultâneo. Se não é simultâneo, não é aquela coisa [risos]. Isso virou uma obrigação do casal e não existe motivo nenhum pra isso. Pode ser muito mais divertido se o orgasmo não for simultâneo. Quem disse que precisa ser simultâneo? A felicidade é a mesma coisa. A realidade ideológica de hoje é que cada um tem a obrigação de ser feliz. O charme das drogas é justamente a promessa de nos satisfazer plenamente. Por isso que a difusão das drogas é diretamente proporcional ao desenvolvimento de um país. Está nos faltando uma proposta de como viver de uma maneira diferente. O comunismo era uma proposta, mas quebrou a cara. No momento, me parece que não tem outra. Então não temos essa opção de não buscar a felicidade. PLAYBOY - Por que você escolheu o título Terra de Ninguém para seu livro? Contardo - As colunas que estão no livro foram escritas, em sua maioria, durante viagens entre dois países, nenhum dos quais é o meu país de origem. Então eu tenho uma certa familiaridade com a “terra de ninguém”, que é como chamo aquele espaço nos aeroportos e aviões entre as polícias federais. Figurativamente, a “terra de ninguém” é um lugar longe das identidades coletivas — seja a identidade brasileira, a marxista, a de torcedor do Corinthians ou de qualquer uma das quais falamos —, que limitam as possibilidades de experiência e diminuem a qualidade do pensamento. Eu não estou preocupado em me definir como uma dessas coisas. Estimo a liberdade de pensamento o suficiente para pagar o alto preço que ela cobra: uma posição de constante exílio. O comportamento em grupo é muito mais confortável. Mas acho que um pouquinho de “terra de ninguém” não faria mal a ninguém [risos].
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